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21/OUT - GOVERNADOR SERRA – RESPONSÁVEL PELA CRISE NA POLÍCIA PAULISTA

 

As Entidades de Classe da Polícia Militar vêem com grande apreensão os lamentáveis acontecimentos que afetam gravemente à segurança da população do Estado de São Paulo. Isso aconteceu diretamente pelo descaso com que o Governo trata a Segurança Pública, adotando uma política salarial mais do que inadequada; totalmente desumana. Só podemos comparar este fato ao ocorrido em 1961, quando o movimento de reivindicação do Corpo de Bombeiros bateu nos portões do Palácio do Governo do Estado. O mesmo está acontecendo agora, quando à Polícia Civil tenta mostrar à comunidade a real situação a que se chegou após inúmeras tentativas, sem sucesso, de negociar.

 

No Estado mais rico, dono do maior orçamento do país, temos uma das Polícias mais MAL pagas da nação. Os Policiais militares são conscientes de que o povo fez a sua parte elegendo o seu governante; mas este está sendo inábil em conduzir a situação, tratando a atual situação como um caso meramente político e não de segurança pública. Ele, o Governo, porém, não está sozinho, muitos representantes eleitos pela vontade da sociedade paulista estão alheios aos acontecimentos e não se preocupam com a segurança do povo, nem com os valorosos servidores que, heroicamente, defendem os cidadãos, colocando em risco a própria vida, apesar de não terem condições de manter dignamente suas famílias; conseqüência direta dos baixos salários. Os resultados dessa política salarial perversa adotada pelo Governo do Estado e endossada pela Assembléia Legislativa, eram previsíveis. Na recente manifestação de Policiais Civis, participantes com ânimos exaltados chocaram-se contra Policiais Militares que cumpriam o seu dever constitucional de manter a ordem pública, no íntimo concordando com o pleito dos manifestantes, pois sofrem igualmente as conseqüências dessa política descabida, mas discordando dos métodos utilizados para valer esse direito comum a ambos.

 

Se nenhuma outra autoridade ou órgão pode (ou quis) antever as conseqüências da anunciada manifestação, cabe total responsabilidade sobre essa imprevisão ao Máximo Mandatário do Estado. O Governo se furta da responsabilidade de ter provocado esta situação vexatória, e tenta justificar-se à população afirmando que ninguém está reivindicando salários, mas que são “partidos de oposição” que estão se aproveitando do momento. Esperamos coerência do Chefe do Estado que argumenta ser São Paulo a unidade de melhor segurança pública, apregoando investimentos em recursos materiais, mas deixando de reconhecer que coletes e viaturas não atuam sozinhos e que à população que paga seus impostos merece ter serviço de segurança pública de qualidade.

 

Encaminharemos, com urgência, projeto de política salarial de acordo com as necessidades e os méritos dos integrantes da Polícia de São Paulo, verdadeiros heróis que, a despeito dessa carência, consolidam, como o próprio Governo apregoa, a segurança do Estado de São Paulo. A população compete “exercer seus direitos e cobrar solução imediata dos representantes que ela elegeu para a Assembléia Legislativa”. Só cabe no momento, ao governador José Serra, para amenizar à situação, abrir espaço para receber às entidades de classe da Polícia Paulista, mesmo porque, o secretário da Segurança Pública ignorou o Presidente da OAB/SP como mediador da questão salarial.

 

 

Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Associação dos Oficiais da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo