Tradicional Clube Paulistano de Tiro vai acabar. Após uma disputa de 15 anos na Justiça, a agremiação terá de deixar o terreno que ocupa desde 1939 na serra da Cantareira (zona norte de São Paulo), de propriedade do Estado.
A área será incorporada ao Horto Florestal, parque estadual vizinho. Com 350 mil metros quadrados abertos ao público --de um total de 1,87 milhão de metros quadrados-- o horto recebe apenas cerca de 15 mil visitantes por final de semana.
Agora, o parque terá sua área aumentada em 178 mil metros quadrados (11% do parque Ibirapuera).
A decisão de reintegração de posse saiu neste mês e determina a devolução "imediata" para o Estado. Mas, na prática, o clube precisará de dois ou três meses para sair, avalia Igor Denyszczuk, atual presidente da entidade.
O que motivou a sentença judicial foi o depósito feito em juízo, pelo Estado, de R$ 2,8 milhões, indenização por melhorias feitas pelo clube --construção do edifício-sede, barracões e outras casas.
Foi o fim de uma briga que se arrastava na Justiça desde 1995, quando o governo Mário Covas (PSDB) suspendeu a concessão da área ao clube.
"Sabíamos que teríamos de deixar a área um dia. O Estado nunca quis pagar indenização. Agora, pela primeira vez, eles fizeram isso. Mas depositaram o valor em juízo", afirma Denyszczuk.
IMBRÓGLIO
Receber o dinheiro não será simples. A Cetesb (agência ambiental paulista) aplicou ao clube multa de R$ 5,1 milhões por degradação ao ambiente, valor maior do que o clube tem a receber pelas benfeitorias no terreno.
O Estado quer condicionar o pagamento da indenização ao da multa. Assim, o clube não receberia nada e ficaria devendo R$ 2,1 milhões.
A multa ocorreu porque o terreno está contaminado por chumbo, resultado de tiros de arma de fogo feitos ao longo de décadas, diz Rodrigo Victor, diretor do Instituto Florestal, órgão responsável pelo Horto. A área será descontaminada, mas talvez uma parte dela não possa ser agregada ao parque.
O presidente do clube de tiro não nega haver chumbo no terreno. "Mas é um material totalmente inerte, que, certamente, não faz mal nenhum à saúde", afirma. Ele estima que a recuperação da área em R$ 1 milhão, cerca de um quinto do que a Cetesb lhe cobra.
"Nossa área também era usada pelo Estado. Cedemos nossas instalações para a polícia e o Exército treinarem", afirma Denyszczuk.

Fonte: Folha de São Paulo